quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Janela Indiscreta

Às vezes dou comigo a escutar a voz perdida dos outros. Falam para si mesmos, sem se lembrarem de procurar do lado de fora, no longe dos espaços, o que os terá ferido e atingido. Pronunciam palavras locais, daqui, dacolá onde há um desconforto no corpo, sem olharem para um além, para uma outra terra, para outras horas. Por vezes as contingências da vida propõe-lhes uma involução no tempo - descida vertical da memoria presa de vagas recordações, de rostos, de ritos amarelecidos.  O tempo de uma história pessoal, para aí tentarem encontrar as causas esquecidas de um mal insidioso e impalpável. Revisitam o tempo passado perdidos no espaço do presente que fruem, intensamente, amiúde. Quando a primeira pergunta deveria incidir sobre isso mesmo: que é que eu fiz?

14 comentários:

  1. Muito bom. :))

    Bjos
    Resto de uma boa Quarta-Feira.

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  2. Eu sei o que fiz, Impontual.
    Não sei é como hei-de tentar fazer aquilo que não fiz.

    Ano Muito Bom.

    ( sem esquecer de escutar a sua própria voz interior.)

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    1. Portanto a Janita está num passado que ainda não passou. Essa é sem duvida uma enorme janela de oportunidade.

      ( não deve haver ninguém à face da terra que fale tanto consigo próprio como eu)

      Obrigado, bom ano.

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  3. Respostas
    1. Nem sempre somos o que pensamos, Cherry.

      Obrigado.

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  4. Impontual...Impontual...onde foi parar o comentário que deixei aqui, há pouco?

    (por favor veja na sua caixa de spam)

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  5. Pode ser uma pergunta de retórica?
    Boa tarde Sr. Impontual

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    1. Não. Embora,por vezes, haja necessidade de estimular a memória na sua essência. Mas, lá está, a essência é uma reflexão tumultuosa.

      Como vai, JI?

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  6. Sempre bem :) Obrigada.
    Estimular a memória não é uma "involução no tempo"?

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    1. É. Mas não pode dar-se a reboque de uma pergunta meramente retórica. Sob pena de produzir um efeito dispersivo. Ir lá atrás só é importante se for para voltar.

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  7. Gostei de ler e reflectir :)

    Iniciou muito bem o Ano
    Beijos.

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  8. Fiz tantas coisas... umas boas, outras más, umas por mim outras pelos outros. Sei lá. Podia ter feito tão mais, ou diferente. Mas não importa. O que fiz está feito. Ponto.

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